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sábado, 8 de novembro de 2014
Pink Floyd - The Endless River (2014)
Sim, senhores! O Pink Floyd lançou mais um disco, depois de 20 anos de lançamento de seu último lançamento de estúdio, o belo The Division Bell. O anúncio do lançamento de The Endless River foi um choque para todos, pois a banda ficou inativa depois da turnê que gerou o vídeo/disco ao vivo Pulse, em 1995 - descontando, é claro, o mini-show com a reunião da formação clássica do Floyd no Live 8 -, e também pelo fato de guitarrista e vocalista David Gilmour negar zilhões de vezes que a banda se reuniria para alguma turnê ou disco.
Após a surpresa gerada pela notícia, os admiradores do conjunto ficaram pensando como seria o disco, principalmente depois que foi dito que The Endless River seria um disco que teria como base gravações da época do LP The Division Bell que ficaram de fora deste álbum, servindo, de acordo com Gilmour, como uma homenagem ao tecladista Richard Wright, morto em 2008. Houve quem imaginasse que o baixista e vocalista Roger Waters (o qual saiu da banda em 1983) poderia participar das gravações, o que foi prontamente negado por este. Também se especulou sobre a qualidade do disco, pois, além de ser um disco baseado em "sobras" de gravação, ele seria quase que totalmente instrumental. O fato é que, após o anúncio, The Endless River se tornou o álbum com a maior pré-venda da história da filial britânica da loja virtual Amazon, mostrando a importância de uma banda "defunta" que marcou história na música.
Bom, se você, caro leitor, não abandonou esta postagem depois de tanto blá-blá-blá, é porque está querendo realmente saber a opinião deste blogueiro de bosta sobre o álbum. Então, já que insiste, eu a darei nos parágrafos abaixo. :)
Todos sabemos da qualidade instrumental do Pink Floyd, obviamente, e ninguém esperaria um instrumental ruim vindo de uma banda tão competente. O que se temia era uma possível coleção tosca de sobras de estúdio visando somente lucrar com base no fanatismo daqueles que querem tudo lançado pelo Floyd. Se esse era o seu temor, pode ficar tranquilo: The Endless River é uma coleção de músicas agradáveis e executadas brilhantemente pelos trio Gilmour/Wright/Nick Mason, juntamente com seus músicos de apoio, destacando-se os ótimos solos de guitarra e os belos arranjos de teclado.
O disco, também lançado em vinil duplo, é dividido em quatro "lados"; cada lado pode ser considerado como uma suíte composta pelas faixas que o compõe. Essa divisão ficou bem interessante, pois cada conjunto de faixas ficou bem coeso, e a divisão das suítes ficou bastante coerente. Pessoalmente, o que mais me agradou foi o "Lado 3", no qual consta a já divulgada faixa "Allons-Y (1)".
Falando em faixa já divulgada, "Lost for Words" a única música em que David Gilmour canta no disco, é legal - lembrando os dois álbuns anteriores do Pink Floyd, lançados após a saída do então lider Waters da banda -; no entanto, não é tão empolgante e nem pode ser considerado o ponto alto de The Endless River, muito embora seja um fechamento digno para o álbum (sem contar as faixas bônus da edição deluxe - falo sobre elas já, já).
Há também duas faixas contendo falas do físico Stephen Hawking, "Things Left Unsaid" e "Talkin' Hawkin'", o que remete à faixa "Keep Talking", do The Division Bell, também com a participação dele. Além disso, há uma boa faixa que chama a atenção justamente pelo seu título: "Autumn '68" (para quem não sabe, há no disco Atom Heart Mother uma faixa chamada "Summer '68", escrita e cantada por Richard Wright).
Deve-se ressaltar que a produção do disco merece os parabéns. David Gilmour exerceu a função junto com Andy Jackson (que já havia trabalhado com o Pink Floyd antes), Phil Manzanera (colaborador de Gilmour e conhecido principalmente por ter sido membro do Roxy Music e pela sua carreira solo) e Martin "Youth" Glover (membro do Killing Joke e produtor de artistas/bandas como The Verve, Marilyn Manson e Dido). O quarteto conseguiu deixar o disco soando bem, fazendo com que ele, como dito anteriormente, soasse lógico e coeso, e não um mero caça-níqueis com um punhado de faixas descartadas.
Porém, apesar dos elogios, é preciso salientar que o álbum não pode, de forma alguma, ser considerado como essencial. É bem bacana, melhor do que alguns discos anteriores do Floyd, como More, Obscured by Clouds e A Momentary Lapse of Reason. Arrisco até dizer que The Endless River é melhor do que o último disco com Roger Waters, The Final Cut, mas devo alertar que é um disco que, além de não se comparar a clássicos como Animals, Dark Side of the Moon e Wish You Were Here, pode ser meio incômodo para alguns por ter música instrumental. Eu definiria o álbum como "versão música ambiente do The Division Bell". É um álbum para se ouvir relaxando, curtindo as nuances das músicas que o compõem, além de uma bela maneira de lembrar não só do falecido Richard Wright, mas também de uma das bandas mais importantes que já passaram pelo planeta.
PS: A edição deluxe contém três faixas bônus: a encheção de linguiça "TBS9", a bacaninha "TBS14" e a ótima "Nervana", a qual poderia ter entrado no set-list padrão do álbum.
Set-list:
SIDE 1:
1. Things Left Unsaid
2. It's What We Do
3. Ebb and Flow
SIDE 2:
1. Sum
2. Skins
3. Unsung
4. Anisina
SIDE 3:
1. The Lost Art of Conversation
2. On Noodle Street
3. Night Light
4. Allons-y (1)
5. Autumn '68
6. Allons-y (2)
7. Talkin' Hawkin'
SIDE 4:
1. Calling
2. Eyes to Pearls
3. Surfacing
4. Louder Than Words
FAIXAS BÔNUS:
1. TBS9
2. TBS14
3. Nervana
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Metal na Copa 2014 - Grupo H
E finalmente, depois de mais um mês de hibernação, chegamos à ultima postagem da série! Confiram agora as bandas escolhidas para representarem seus respectivos países membros do Grupo H do certame.
BÉLGICA - Channel Zero
Banda de thrash/groove metal bastante interessante. Foi formada durante o ano de 1990 na capital belga (Bruxelas) e, até o momento, já lançou 6 discos de estúdio.
Abaixo, o clipe da faixa-título do álbum Black Fuel, de 1996.
ARGÉLIA - RiverGate
Sim! Finalmente uma banda citada na série que vem do continente africano! O RiverGate se destaca principalmente por não seguir a tendência argelina de priorizar gêneros mais extremos do metal. O som da banda oriunda da cidade de Argel e que está ativa desde 2012 é um metal progressivo bastante competente.
Seu único registro fonográfico até o momento é o EP Enter the Gate, lançado em 2013.
Ouçam a seguir a música "Chains of Memory", presente no EP supracitado.
RÚSSIA - Arkona
O quinteto moscovita, cujo nome originalmente é escrito em russo (Аркона) é uma das bandas russas mais conhecidas no cenário mundial. Seu folk metal trata principalmente de lendas eslávicas e paganismo (o que dava para imaginar ao ver a foto, não é mesmo?). Desde sua fundação, em 2002, o Arkona já lançou 7 LPs de estúdio.
Vejam a seguir o vídeo de "Liki Bessmertnykh Bogov" (orig,: Лики Бессмертных Богов), presente no disco Goi, Rode, Goi! (orig.: Гой, Роде, Гой!), lançado em 2009.
COREIA DO SUL - Crash
A banda de Seul foi formada em 1989 e se notabilizou, ao iniciar a carreira, por fazer um thrash metal com pitadas cada vez mais presentes de death. Com o tempo, passaram a incorporar elementos de metal industrial no seu som para, em seguida, retornar às suas raízes thrash - mas dessa vez com doses mais cavalares de groove, lembrando bastante bandas como o Lamb of God.
Possuem uma discografia de 6 LPs de estúdio lançados.
Assistam abaixo ao clipe da música "Crashday", presente no álbum de 2010, The Paragon of Animals.
E assim se encerra a série "Metal na Copa 2014". Espero que tenham curtido e achado alguma banda de seu interesse. Obrigado aos que acompanharam a série ao longo de seu desenvolvimento (mesmo com tantos atrasos na publicação das postagens)!
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Metal na Copa 2014 - Grupo G
E aqui está, finalmente, a penúltima postagem da série "Metal na Copa 2014". Desta vez, trazemos as bandas escolhidas para representar os países que compões o Grupo G do torneio.
Começou como um projeto do guitarrista Alex Kraft com o vocalista do Sodom, Tom Angelripper (cujo projeto paralelo, Onkel Tom, tinha Kraft na sua formação), chamado Desperados. O objetivo dos dois era que o repertório e o visual do projeto fossem baseados em filmes do gênero eurowestern. Após lançarem um disco, The Dawn of Dying, lançado em 2000, o Desperados entra em hiato de 6 anos, quando Kraft resolve voltar com a banda, agora renomeada como "Dezperadoz"; com Angelripper impossibilitado de continuar participando do projeto, o guitarrista resolve assumir os vocais (dando uma abordagem mais melódica às linhas vocais das músicas que seriam lançadas a seguir) e recrutar outros músicos para a formação do grupo.
O som do Dezperadoz é uma fusão de thrash, metal tradicional e southern metal (gênero que, como sugere o nome, une metal a influências de southern rock), além, é claro, de pitadas de trilha sonora de filmes de faroeste. Lançaram 4 álbuns de estúdio até o momento.
Assistam abaixo ao vídeo da música "Yippie Ya Yeah (More than One Good Reason)", extraída do álbum de 2012, Dead Man's Hand.
O Moonspell pode ser considerado o Sepultura de Portugal - não por conta do estilo musical, que, após um início mais voltado ao black metal, se transmutou em metal gótico com crescentes influências de metal extremo, mas sim por ser a banda de metal mais conhecida de seu respectivo país no mercado internacional.
Formada em 1989, a banda incorporou, ao longo dos anos, influências culturais portuguesas, tanto nas letras (muitas vezes inspiradas em poetas lusitanos, como Fernando Pessoa), quanto nos arranjos (com a presença de ritmos e instrumentos típicos de Portugal). Possui 10 discos de estúdio.
Confiram abaixo o clipe de "Lickanthrope", presente no álbum Alpha Noir, lançado em 2012.
É. Não rola muito metal na África, pelo visto...
Escolher apenas uma banda dos EUA atualmente não é lá uma tarefa muito fácil, porque, de uns anos para cá, o país se tornou um celeiro repleto de ótimos conjuntos. Porém, não dá para discordar que uma das bandas que mais vêm se destacando atualmente é o Machine Head. Fundado em 1992 e liderado pelo vocalista e guitarrista Robb Flynn (anteriormente integrante da Vio-Lence, que foi uma das várias bandas do cenário thrash metal americano), o grupo se notabiliza pelo seu som que pode ser definido como post-thrash/groove metal, embora tenha flertado com o hoje tão desprezado nü-metal entre o final da década de 90 e o início dos anos 2000. Sua reputação entre crítica e público tem crescido bastante principalmente pela qualidade de seus dois últimos LPs, The Blackening e Unto the Locust, e o Machine Head tem tudo para se tornar um dos gigantes do metal atual (se é que já não se tornou).
Até o momento, 7 álbuns de estúdio foram lançados pela banda.
Abaixo, vocês podem conferir o vídeo da música "Locust", presente no disco de 2011, Unto the Locust.
Com isso, chegamos ao final da penúltima postagem da série "Metal na Copa 2014". Fiquem atentos para a próxima atualização, que trará o final desta série de postagens, com bandas representantes dos países do Grupo H - Bélgica, Argélia, Rússia e Coreia do Sul. Até lá!
ALEMANHA - Dezperadoz
Começou como um projeto do guitarrista Alex Kraft com o vocalista do Sodom, Tom Angelripper (cujo projeto paralelo, Onkel Tom, tinha Kraft na sua formação), chamado Desperados. O objetivo dos dois era que o repertório e o visual do projeto fossem baseados em filmes do gênero eurowestern. Após lançarem um disco, The Dawn of Dying, lançado em 2000, o Desperados entra em hiato de 6 anos, quando Kraft resolve voltar com a banda, agora renomeada como "Dezperadoz"; com Angelripper impossibilitado de continuar participando do projeto, o guitarrista resolve assumir os vocais (dando uma abordagem mais melódica às linhas vocais das músicas que seriam lançadas a seguir) e recrutar outros músicos para a formação do grupo.
O som do Dezperadoz é uma fusão de thrash, metal tradicional e southern metal (gênero que, como sugere o nome, une metal a influências de southern rock), além, é claro, de pitadas de trilha sonora de filmes de faroeste. Lançaram 4 álbuns de estúdio até o momento.
Assistam abaixo ao vídeo da música "Yippie Ya Yeah (More than One Good Reason)", extraída do álbum de 2012, Dead Man's Hand.
PORTUGAL - Moonspell
O Moonspell pode ser considerado o Sepultura de Portugal - não por conta do estilo musical, que, após um início mais voltado ao black metal, se transmutou em metal gótico com crescentes influências de metal extremo, mas sim por ser a banda de metal mais conhecida de seu respectivo país no mercado internacional.
Formada em 1989, a banda incorporou, ao longo dos anos, influências culturais portuguesas, tanto nas letras (muitas vezes inspiradas em poetas lusitanos, como Fernando Pessoa), quanto nos arranjos (com a presença de ritmos e instrumentos típicos de Portugal). Possui 10 discos de estúdio.
Confiram abaixo o clipe de "Lickanthrope", presente no álbum Alpha Noir, lançado em 2012.
GANA - NÃO TEM!!!
É. Não rola muito metal na África, pelo visto...
ESTADOS UNIDOS - Machine Head
Escolher apenas uma banda dos EUA atualmente não é lá uma tarefa muito fácil, porque, de uns anos para cá, o país se tornou um celeiro repleto de ótimos conjuntos. Porém, não dá para discordar que uma das bandas que mais vêm se destacando atualmente é o Machine Head. Fundado em 1992 e liderado pelo vocalista e guitarrista Robb Flynn (anteriormente integrante da Vio-Lence, que foi uma das várias bandas do cenário thrash metal americano), o grupo se notabiliza pelo seu som que pode ser definido como post-thrash/groove metal, embora tenha flertado com o hoje tão desprezado nü-metal entre o final da década de 90 e o início dos anos 2000. Sua reputação entre crítica e público tem crescido bastante principalmente pela qualidade de seus dois últimos LPs, The Blackening e Unto the Locust, e o Machine Head tem tudo para se tornar um dos gigantes do metal atual (se é que já não se tornou).
Até o momento, 7 álbuns de estúdio foram lançados pela banda.
Abaixo, vocês podem conferir o vídeo da música "Locust", presente no disco de 2011, Unto the Locust.
Com isso, chegamos ao final da penúltima postagem da série "Metal na Copa 2014". Fiquem atentos para a próxima atualização, que trará o final desta série de postagens, com bandas representantes dos países do Grupo H - Bélgica, Argélia, Rússia e Coreia do Sul. Até lá!
sexta-feira, 14 de março de 2014
Metal na Copa 2014 - Grupo F
Depois de mais um tempo sem postagens (foi mal, pessoal...) apresentamos agora a sexta parte da série de postagens "Metal na Copa 2014", com bandas representantes dos países que compõem o Grupo F do torneio.
ARGENTINA - Rata Blanca
Um dos conjuntos argentinos mais conhecidos ao redor do mundo, o Rata Blanca foi formado em 1985 e já lançou 9 LPs de estúdio. Seu som é um heavy metal tradicional com influências de power e o líder da banda, o guitarrista Walter Giardino, é bastante influenciado por Yngwie Malmsteen e Ritchie Blackmore - visual e musicalmente.
Assistam ao vídeo da música "Mujer Amante", presente no álbum Magos, Espadas y Rosas, de 1990.
BÓSNIA - Silent Kingdom
Formada em 1999, a banda de Sarajevo funde black/death metal e música folclórica bósnia, resultando num som bastante interessante (o som é definido pela própria banda como oriental black metal). Possuem 4 LPs de estúdio.
Ouçam abaixo a faixa "Above the Bed of Stones", retirada do álbum mais recente, Path to Oblivion, lançado em 2011.
IRÃ - Angband
O conjunto surgiu em 2004 na cidade de Teerã e foi formado inicialmente como um projeto instrumental do guitarrista de formação erudita Mahyar Dean (conhecido internacionalmente por ter escrito biografias das bandas Death e Testament), mas passou a contar com canções depois que este conheceu o vocalista Ashkan Yazdani. O Angband mistura prog e power metal e já lançou 3 LPs de estúdio, tendo recebido a atenção da "cena metálica" mundial por ter sido a primeira banda a assinar um contrato com uma gravadora internacional.
Ouçam abaixo a faixa "Seasons of My Pain", presente no disco de 2012, Saved from the Truth.
NIGÉRIA - NÃO TEM!!!
África, você está deixando a desejar em se tratando de heavy metal...
E assim se encerra a 6ª parte do especial "Metal na Copa 2014". Em breve, a penúltima postagem da série, com bandas dos países do Grupo G do certame - Alemanha, Portugal, Gana e Estados Unidos. Até lá!
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Metal na Copa 2014 - Grupo E
Dando continuidade à série de postagens "Metal na Copa 2014" (já era hora, né?), agora é hora de conferir bandas que vêm de países membros do Grupo E do torneio.
SUÍÇA - Triptykon
Logo depois de ter saído do lendário grupo Celtic Frost, em 2008 (a banda acabou encerrando as atividades no mesmo ano), o vocalista e guitarrista Thomas Gabriel Fischer (mais conhecido como Tom G. Warrior) fundou o Triptykon. O som do novo quarteto pode ser definido como uma continuação direta do último disco lançado pelo Frost (Monotheist, de 2006) - ou seja, uma mistura de doom e gothic metal com o death/black metal com influências de avant-garde feito pelo grupo anterior de Warrior no início da carreira. Lançou um LP de estúdio, além de um EP.
Confiram abaixo o vídeo da faixa-título do EP Shatter, lançado em 2010.
EQUADOR - Jethzabel
Na ativa desde 1999, a banda equatoriana faz um som bastante competente calcado no prog metal, com influências de metal neoclássico, chegando a ter um violinista em sua formação. Infelizmente, o Jethzabel não é muito conhecido, principalmente pela dificuldade das bandas do país em conseguir apoio e divulgação em sua terra natal.
Assista abaixo ao clipe da música "Jezabel", extraída de seu único álbum, Vision, lançado em 2007.
FRANÇA - Gojira
A banda francesa é uma das mais interessantes surgidas nos últimos anos. Formada em 1996 com o nome de Godzilla (mudaram para Gojira (pronúnica japonesa do nome) em 2001 para evitar problemas com copyright), o quarteto chamou a atenção de crítica e público ao mostrar sua música, a qual funde death, groove e prog metal. Possui 5 LPs de estúdio lançados.
Confiram o vídeo da faixa-título do álbum mais recente do Gojira, L'Enfant Sauvage, de 2012.
HONDURAS - Delirium
O som do conjunto hondurenho, formado em 1990, é um heavy metal tradicional misturado com elementos de thrash e power, com riffs de guitarra muito bem trabalhados e mesclando temas mais pesados com faixas mais lentas. Possuem 5 álbuns de estúdio.
Ouçam abaixo a faixa "Arrodillate", do disco Errante, lançado em 2011.
E está encerrada a 5ª postagem da série "Metal na Copa 2014". Fiquem atentos para as próximas postagens, sendo a próxima a que trará bandas que vêm dos países que compõem o Grupo F - Argentina, Bósnia, Irã e Nigéria. Até lá!
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Eloy - Reincarnation on Stage (2014)
Finalmente! Depois de anos sem um registro ao vivo (o único, Live, havia sido lançado em 1978), a banda alemã Eloy lança um disco que abrange grande parte da longeva carreira que a fez ser considerada uma das mais importantes do cenário progressivo germânico.
Reincarnation on Stage traz a banda liderada pelo guitarrista/vocalista Frank Bornemann tocando vários dos seus clássicos, em gravações feitas durante sua turnê mais recente (realizada entre 2012 e 2013). Para saciar a sede dos admiradores, foi lançado um álbum duplo, contendo 21 faixas, sendo uma delas inédita ("Namaste") - claro que houve muitas músicas faltando, afinal, são quase 45 anos de existência (eu mesmo senti falta de algum material dos três primeiros discos de estúdio), mas ninguém pode falar mal do setlist, que foi muito bem escolhido.
Um dos atrativos do disco é o registro ao vivo de músicas pós-1978, que não haviam sido incluídas no disco Live (por motivos óbvios), como "Sihouette", "Child Migration", "Follow the Light", "The Tides Return Forever", entre outras. A presença de músicas obrigatórias como "The Sun Song", "Poseidon's Creation" e "Atlantis Agony..." (esta em versão mais curta do que a original) abrilhanta ainda mais o disco. Alguns podem achar negativo o fato de essas versões ao vivo não terem muitas novidades em relação às originais, podendo representar uma certa falta de ousadia, mas o Eloy, apesar de sempre ter sido composto por ótimos instrumentistas, nunca foi uma banda muito afeita a improvisações, de modo que não acho que isso seja algo ruim.
A formação atual se mostra extremamente afiada e competente na execução do set - se bem que dizer isso é meio redundante, visto que Frank Bornemann sempre se cercou de músicos de alto nível nas diversas formações que o Eloy teve ao longo dos anos. O líder Bornemann mostra que, mesmo com idade avançada (ele tinha 67 anos ao iniciar a turnê), consegue cantar muito bem e, para o alívio de alguns, mostra que o seu sotaque alemão está bem menos forte do que no início da carreira.
Posso dizer que a espera valeu a pena. Reincarnation on Stage é um ótimo ponto de partida para quem não conhece o Eloy e também uma bela aquisição para os aficionados por Frank Bornemann & Cia.
Setlist:
Disco 1
- Namaste
- Child Migration
- Paralized Civilization
- Mysterious Monolith
- Age of Insanity
- The Apocalypse
- Silhouette
- Poseidon's Creation
- Time to Turn
- The Sun Song
- Horizons
- Illuminations
- Follow the Light
- Awakening of Conciousness
- The Tides Return Forever
- Ro Setau
- Mystery
- Decay of Logos
- Atlantis' Agony At June 5th 8498,13 p.m. Gregorian Earthtime
- The Bells of Notre Dame
- Thoughts
Formação:
- Frank Bornemann: guitarra e vocais
- Michael Gerlach: teclados
- Hannes Folberth: teclados
- Klaus-Peter Matziol: baixo
- Bodo Schopf: bateria e percussão
- Steve Mann: guitarra
- Alexandra Seubert: vocais
- Tina Lux: vocais
- Anke Renner: vocais
PS: A próxima postagem da série "Metal na Copa 2014" vai demorar um pouco devido a problemas técnicos - em outras palavras, falta de tempo e ausência de internet decente, que são primordiais para atrapalhar a elaboração dos posts. Voltamos em breve. Aguardem!
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Metal na Copa 2014 - Grupo D
E aqui está a 4ª parte da série "Metal na Copa 2014". Neste post, trazemos bandas oriundas dos países que formam o Grupo D do torneio.
URUGUAI - Cuchilla Grande
Formado em 1996, na cidade de Montevidéu, o Cuchilla Grande define seu som como metal criollo, que pode ser explicado como metal tradicional com influências de música tradicional uruguaia e letras nacionalistas. Com apenas dois discos de estúdio (um LP e um EP), a banda é bastante conhecida nos países sul-americanos de língua espanhola.
Ouça abaixo a faixa "Cabeza de Tractor", presente no seu único LP, Purificación, de 2005.
COSTA RICA - Sight of Emptiness
Banda formada no ano de 2005. O som dos costa-riquenhos é um melodic death metal bastante influenciado por bandas como At The Gates, In Flames e Behemoth. Já lançou 3 LPs de estúdio.
Vejam o clipe de "Predictable Tragedy", faixa de abertura do disco de 2009, Absolution of Humanity,
INGLATERRA - Carcass
Alguém na internet já definiu o Carcass como "os Beatles do metal extremo". A comparação faz sentido, pois, assim como o "Fab Four", o conjunto liderado por Jeffrey Walker foi formado em Liverpool (no ano de 1985) e é considerado um dos mais influentes do seu gênero - além de ser considerada a maior inspiração para a maioria das bandas de grindcore/deathgrind (som praticado por eles no começo da banda), a banda também é tida como uma das fundadoras do melodic death metal, som que praticam atualmente. Possui seis LPs de estúdio, sendo o último deles, Surgical Steel, de 2013, lançado após um hiato de 17 anos sem material novo (a banda ficou inativa de 1996 a 2007).
Abaixo, o vídeo da faixa-título do disco Heartwork, de 1993.
ITÁLIA - Fleshgod Apocalypse
A banda romana iniciou seus trabalhos em 2007 e conseguiu um certo destaque no cenário do death metal mundial ao aliar um som extremíssimo com belos arranjos orquestrais. Já lançaram 3 LPs de estúdio (além de um EP).
Confiram abaixo o videoclipe da música "The Forsaking", faixa extraída do álbum Agony, de 2011.
Não percam a próxima parte da série, que trará bandas dos países do Grupo E - Suíça, Equador, França e Honduras.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Metal na Copa 2014 - Grupo C
Hoje serão apresentadas, dando continuidade à série "Metal na Copa 2014", bandas representantes dos países que compõem o Grupo C.
COLÔMBIA - Inheritor
Confira abaixo o vídeo da faixa "A Fading Caress" (ainda com a vocalista anterior), presente no álbum de 2010, From Dust 'n Passion.
GRÉCIA - Rotting Christ
Durante a carreira, a banda passou por polêmicas em diversos países nos quais se apresentariam devido ao conteúdo anti-cristão de algumas de suas letras. Um dos episódios mais recentes e comentados foi do cancelamento dos shows que eles fariam em maio de 2005 como abertura para as apresentações do Megadeth na Grécia - cancelamento pedido pelo líder do grupo americano, Dave Mustaine, que havia se convertido recentemente ao cristianismo; tal pedido gerou críticas de vários fãs e bandas, incluindo aí cristãos.
Vejam abaixo o vídeo da música "Keravnos Kyvernitos", presente no álbum Theogonia, lançado em 2007.
COSTA DO MARFIM - NÃO TEM!!!
JAPÃO - Loudness
Uma curiosidade: a banda tentou em meados dos anos 80 fazer sucesso nos Estados Unidos. Apesar de seu primeiro disco americano, Thunder in the East, de 1985, ter feito sucesso por lá, o tiro acabou saindo pela culatra, pois, além do sucesso na América não ter sido o esperado - mesmo tendo trocado depois de alguns anos o vocalista original, Minoru Niihara, por um cantor americano (Michael Vescera, que depois tocaria com Yngwie Malmsteen e Dr. Sin; Niihara voltaria em 2001) -, a base de fãs no seu país natal diminuiu consideravelmente na época.
Confiram o clipe do clássico "Crazy Nights", que faz parte do disco Thunder in the East, de 1985.
Na próxima postagem, bandas oriundas dos países do Grupo D - Uruguai, Costa Rica, Inglaterra e Itália. Aguardem!
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Metal na Copa 2014 - Grupo B
Dando continuidade à série de postagens "Metal na Copa 2014", são trazidas hoje bandas dos países que farão parte do Grupo B.
ESPANHA - Mägo de Oz
O som do grupo, fundado em 1989, é um power metal com forte influência da cultura celta, chegando a ter na sua formação um flautista e um violinista. Ao contrário do que possa parecer, suas músicas não são cantadas em inglês, e sim em espanhol. Possui 11 discos de estúdio.
Abaixo, o clipe da música "Fiesta Pagana", presente no disco de 2000 Finisterra.
HOLANDA - Ayreon
Trata-se do principal projeto musical do multi-instrumentista e produtor Arjen Anthony Lucassen. O som do Ayreon funde heavy metal e rock progressivo (embora nem todas as músicas possam ser definidas como prog metal), além de conter pitadas de folk, música clássica e eletrônica.
O Ayreon lançou 8 discos que podem ser definidos como "rock operas" por possuírem em suas músicas complexas storylines com vários personagens - cada um destes personagens é, na maioria dos discos, interpretado por um vocalista. Não faz shows, nem possui formação fixa - o músico que mais se aproxima de ser um integrante fixo da banda é o baterista Ed Warby, que grava com o Ayreon desde o 3º álbum, Into the Electric Castle -, sendo seus integrantes músicos convidados para cada álbum, sendo vários deles músicos de renome, como os vocalistas Bruce Dickinson (Iron Maiden), Fabio Lione (Rhapsody of Fire) e Hansi Kürsch (Blind Guardian), o guitarrista Steve Hackett (ex-Genesis) e os tecladistas Rick Wakeman (ex-Yes) e Keith Emerson (Emerson, Lake & Palmer).
Confira a seguir o videoclipe da música "Beneath the Waves", que faz parte do álbum 01011001, lançado em 2008.
CHILE - Alejandro Silva Power Cuarteto
Como o nome indica, trata-se de uma banda formada em função do guitarrista Alejandro Silva. A banda chilena, formada em 1999, faz rock e prog metal instrumental. Possui 3 discos de estúdio lançados. Som bem técnico e interessante.
Assista abaixo à performance da banda tocando "ErRock", faixa do disco Dios Eol, lançado em 2002.
AUSTRÁLIA - Mortification
Fundada em 1990, o Mortification é uma das bandas cristãs mais conhecidas no mundo. Com um metal extremo muito bem executado e letras que fogem de clichês cristãos batidos e de simples pregações, o Mortification não agrada somente a fãs religiosos, fazendo do conjunto australiano um dos mais lembrados do seu gênero. Lançou 13 discos de estúdio até o momento.
Confiram abaixo o vídeo da faixa-título do disco Scrolls of the Megilloth, de 1992.
Com isso, encerra-se a segunda postagem da série "Metal na Copa 2014". Continuem acompanhando o blog, que nos próximos dias serão trazidas bandas correspondentes aos países do grupo C - Colômbia, Grécia, Costa do Marfim e Japão.
Metal na Copa 2014 - Grupo A
Como prometido anteriormente, aqui estão bandas recomendadas de acordo com os países que participarão da Copa do Mundo 2014 pelo grupo A. Relembro que a postagem busca fugir de algumas "obviedades"; portanto, não espere ver o Sepultura aqui (até porque o Sepultura é audição obrigatória).
BRASIL - Gangrena Gasosa
Eu poderia ter selecionado muitas bandas para entrar aqui, visto que o que não falta no Brasil são bandas competentíssimas. O Gangrena Gasosa foi escolhido por se tratar de uma banda que só poderia ter nascido aqui, por conta do seu som batizado pela própria banda de "Saravá Metal" - a saber, metal e hardcore misturado com pontos de umbanda. Com três discos de estúdio lançados, a banda é conhecida pelas apresentações intensas com figurinos e cenários que remetem às religiões afro-brasileiras (seus integrantes se caracterizam como entidades no palco, como Zé Pilintra, Pomba Gira, entre outros) e por suas músicas com letras bem-humoradas cantadas em português.
Veja abaixo o vídeo da música "Cambonos from Hell", do álbum de 2011, Se Deus É 10 Satanás É 666.
CROÁCIA - War-Head
Surgido em 2002 na cidade de Osijek, o trio croata tem dois LPs de estúdio lançados. O War-Head faz um death/thrash bastante competente, chamando a atenção de quem gosta dos gêneros.
Abaixo, o vídeo da música "Away", presente no disco Still No Signs of Armageddon, de 2011.
MÉXICO - The Chasm
Fundada em 1992 na Cidade do México, o trio mexicano (que agora reside em Chicago, EUA) mostra-se bastante competente no seu death metal com algumas influências de thrash, black e prog metal. Tem 7 LPs de estúdio lançados. Uma banda que deveria ser bem mais conhecida.
Ouça abaixo "Vault to the Voyage", do disco Farseeing the Paranormal Abysm, de 2009.
Pois é... Camarões, aparentemente, não possui em seu território nenhuma banda de metal, qualquer que seja o subgênero. Que coisa, hein?!
Não percam a próxima postagem, que trará bandas oriundas de países do Grupo B da Copa 2014 - Espanha, Holanda, Chile e Austrália. Qualquer sugestão será bem-vinda. Até lá!
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Metal na Copa 2014 - Introdução
Nos próximos dias, o Lampião Cult trará algo diferente: em vez das habituais resenhas, será mostrado um pequeno compêndio de bandas de metal a serem ouvidas. Como recentemente foi realizado o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2014, serão mostradas bandas que estão espalhadas pelo mundo, com cada uma delas representando um país que participará do torneio. Será uma série de oito postagens (número de grupos da Copa), com a primeira mostrando bandas "representantes" de países membros do Grupo A, a segunda sendo composta pelo Grupo B, e assim sucessivamente. Vai ser interessante até para nós essa pesquisa, pois não é sempre que pensamos em bandas de países como Camarões, Irã e Coreia do Sul.
Ah! Um aviso: não esperem bandas óbvias, como Iron Maiden/Judas Priest/Black Sabbath representando a Inglaterra, EUA sendo representados por Metallica, ou Sepultura e Angra disputando pelo posto de banda brasileira escolhida. A ideia principal é apresentar bandas que até podem ser consideradas clássicas, mas não estão tão em evidência como as citadas há pouco.
Quem quiser mandar sugestões de bandas pode usar a seção de comentários do blog (essa que ninguém usa :D ).
Esperamos vocês nas próximas postagens!
terça-feira, 22 de outubro de 2013
The Clash - Cut the Crap (1985)
É impressionante o quanto uma obra musical tão rica pode ser encerrada de maneira tão melancólica e ruim quanto à do grupo britânico The Clash. Tida como uma das mais originais bandas de cenário punk, o qual se caracterizava pelo lema "faça você mesmo" e pelas músicas mais simples, o quarteto foi vitimado por alguns fatores que acabaram por prejudicar a sua continuidade - o que foi refletido no seu último disco de estúdio, o fraquíssimo Cut the Crap.
Donos de uma discografia de qualidade ímpar, o Clash sempre mostrou-se um passo além das outras bandas punks, o que pode ser conferido principalmente no seu maior clássico, o LP London Calling. Letras maduras aliadas ao punk rock competentemente fundido com outros ritmos, como ska, reggae, rockabilly, jazz, soul, etc., mostraram que a banda capitaneada por Joe Strummer e Mick Jones (ambos vocalistas e guitarristas) era uma banda única.
O problema é que, ao longo dos anos, o relacionamento pessoal entre Strummer e Jones começou a se degradar, ao ponto de eles não se falarem mais. Além disso, o vício em heroína do baterista Topper Headon fez com que ele fosse demitido do grupo logo após a gravação do disco Combat Rock, fato este que entristeceu todos os outros membros do Clash, visto que ele era querido por todos. Nem mesmo a volta do baterista original, Terry Chimes, para a turnê do disco, contribuiu para que o ambiente melhorasse (no meio da turnê, Chimes saiu e foi substituído por Pete Howard).
Ao começarem as sessões do disco seguinte, o clima entre os membros da banda não poderia estar pior, chegando ao ponto de Jones ser demitido por Strummer e pelo baixista Paul Simonon - diz-se que eles foram influenciados pelo empresário do grupo, Bernie Rhodes. Para o lugar do guitarrista, foi trazida uma dupla de guitarristas - Nick Sheppard e Vince White -, o que possibilitaria a Strummer que ele se concentrasse somente nos vocais. Com o grupo transformado em quinteto, o Clash fez uma turnê na qual não foram tocadas músicas compostas por Mick Jones e privilegiou as músicas mais antigas, cortando as influências de outros ritmos (ou seja: menos ska/reggae, mais "três acordes") do repertório. Ao término da turnê, a banda anunciou que lançaria em breve um disco de estúdio.
Pelo que se sabe, as sessões de gravação foram caóticas, com Rhodes e Strummer brigando pelo controle do grupo. O empresário conseguiu forçar sua participação na produção e na composição das músicas. Os ensaios das músicas aconteciam com músicos de estúdio - somente Strummer e Rhodes participavam dessas sessões, enquanto o resto da banda ia depois para o estúdio gravar suas partes previamente tocadas pelos músicos contratados. E aí houve um problema: enquanto Joe Strummer queria que a banda voltasse às raízes com canções mais simples ao estilo dos dois primeiros álbuns do Clash, Bernie Rhodes tinha vontade de inserir elementos do cenário musical que ascendia na época, o new wave, e acabou vencendo a queda de braço contra o líder do conjunto - Strummer estava simplesmente cansado de tudo que acontecia nos últimos tempos com sua banda, além de ter perdido os pais recentemente.
Além disso, as músicas escritas por Strummer já não eram lá essas coisas: muitas delas eram simplistas demais, como se ele quisesse fazer músicas forçosamente simples. Porém, como não há nada tão ruim que não possa ser piorado, o que o produtor-empresário fez? Simplesmente descartou praticamente todas as gravações dos outros membros da banda, utilizando-se das pré-gravações feitas com músicos de estúdio e - pasmem! - baterias eletrônicas programadas (não esqueçam que ele queria deixar o som mais "moderno"), além de utilizar coros ao estilo "torcida de futebol" e mudar as intenções pretendidas pelo Clash para cada canção. O que poderia ser um disco com músicas fracas, mas divertidas, acabou por se tornar algo extremamente descartável, com uma produção horrorosa e que acabavam ressaltando os defeitos das músicas contidas no álbum. A primeira faixa, "Dictator", mostra bem isso: uma torrente de ruídos eletrônicos sobreposta a guitarras sintetizadas e gravações de noticiários de uma rádio mexicana, enquanto Joe Strummer canta uma letra boba que deixa o ouvinte espantado - esse era o mesmo cara que tinha escrito "London Calling" e "Tommy Gun", caramba! Duvidam? Ouçam a música aí embaixo e me digam se eu estou errado.
Não vou ser injusto: algumas faixas tinham potencial para ficaram, no mínimo, bacanas. Porém, graças à patetada do "produtor" (ênfase nas aspas) Bernie Rhodes, utilizando-se do pseudônimo "Jose Unidos" (pff!!!), elas ficaram simplesmente ruins. Inclusive há vários bootlegs de shows da época em que eles estavam ainda testando as músicas que entrariam em Cut the Crap e com arranjos "puros", sem as intervenções de estúdio; ao ouvir tais bootlegs, a sensação é que daria para sair um disco legal (mas ainda acho que não deixaria de ser o pior álbum da história do Clash). Ouçam uma versão ao vivo pré-estúdio de "Are You Ready for War?" e, a seguir, a versão oficial contida no disco, renomeada (infelizmente) para "Are You Red..y". A diferença é gritante, apesar da música ser a mesma!
Ainda bem que podemos dizer que o disco não é totalmente horrível, principalmente graças a "This Is England", a melhor faixa do álbum, a qual nem a produção conseguiu deixá-la ruim - não é exagero dizer que, se ela tivesse sido lançada em um dos discos anteriores da banda, ela teria se tornado um clássico. Outra faixa que pode ser considerada boa é "North and South", cantada por Sheppard, mas que é prejudicada pelo excesso de teclados.
(Nota: "This Is England" foi o primeiro single do disco, e tinha como lado B as faixas "Do It Now" e "Sex Mad Roar". Estas duas faixas são mais agradáveis de ouvir do que todo o Cut the Crap, visto que toda a formação da banda na época participou da gravação das faixas e não há os excessos de produção cometidos no LP. "Do It Now" também chegou a ser incluída como faixa bônus em relançamentos do disco em CD.)
O problema é que as duas faixas não foram o suficiente para salvar o álbum do fiasco. Assim que Cut the Crap foi lançado, a crítica malhou sem dó o trabalho, e o público odiou aquele pastiche de pós-punk com new wave com uma capa feiosa que tentava ilustrar a ideia de punk moderno pretendida por Bernie Rhodes. A própria banda se manifestou contrária ao disco, divulgando que o resultado final não era o desejado e que o disco seria regravado por eles - o que não aconteceu, já que Strummer, desiludido de vez com tudo, resolveu acabar com o Clash.
O desprezo pelo disco é tanto que ele não é mencionado no documentário The Clash: Westway to the World e em alguns lançamentos de coletâneas e box sets com materiais do grupo, como o box The Clash Sound System, lançado em 2013 e que contém todos os outros discos lançados pela banda, além de raridades e B-sides. A única coisa que se resgata do álbum em alguns lançamentos é "This Is England", incluída em The Essential Clash, Singles Box (juntamente com seus lados B) e The Singles.
É realmente uma pena que esse tenha sido o último álbum de estúdio do Clash, principalmente quando pensamos que Joe Strummer tinha retomado o contato com Mick Jones e estava escrevendo material para uma volta da banda. Um triste fim para a carreira de uma das melhores bandas já surgidas.
O setlist:
- Dictator
- Dirty Punk
- We Are the Clash
- Are You Red..y
- Cool Under Heat
- Movers and Shakers
- This Is England
- Three Card Trick
- Play to Win
- Fingerpoppin'
- North and South
- Life Is Wild
- Do It Now (faixa bônus)
- Joe Strummer - vocais
- Nick Sheppard - guitarras, vocais principais em "North and South"
- Vince White - guitarras (em "Do It Now")
- Paul Simonon - baixo (em "Do It Now")
- Pete Howard - bateria (em "Do It Now")
- Young Wagner - sintetizadores
- Norman Watt-Roy - baixo
- Fayney - bateria eletrônica, vocais em "Play to Win"
- Bernie Rhodes - programação de bateria eletrônica
domingo, 13 de outubro de 2013
Black Sabbath - TYR (1990)
(Continuando a revisão de alguns textos antigos, trago agora uma resenha publicada em outubro de 2010 - devidamente editada e corrigida, claro!)
Uma referência para todas as bandas de Heavy Metal, mesmo que indiretamente - é dessa forma que o Black Sabbath é reconhecido. Tida como a inventora do Metal (há quem discorde, incluindo os integrantes), a banda inovou no cenário do rock ao distorcer seus instrumentos, falar abertamente de temas mais obscuros em suas letras (embora outros já tenham feito isso antes, o Sabbath foi mais descarado) e tocar um "troço" que ninguém nunca tinha ouvido antes. Pronto! Tony Iommi, Geezer Butler, Bill Ward e Ozzy Osbourne plantaram a semente de um novo gênero musical.
O fato é que, com o passar do tempo, a banda mudou sua sonoridade e, depois da saída do vocalista Ozzy Osbourne, houve um troca-troca intenso de integrantes que incomodou muitos fãs. O único que gravou todos os discos do Black Sabbath foi o guitarrista Tony Iommi. Citando somente vocalistas, passaram por lá Ronnie James Dio, Ian Gillan, Glenn Hughes, Dave Gillen, Ron Keel e Tony Martin, entre outros. Por causa disso, muitos fãs torceram o nariz e viraram as costas para os outros trabalhos da banda.
Chegamos ao ponto desejado! É fato que a banda, ao longo dos anos, ficou bastante descaracterizada, mas isto não quer dizer que a banda ficou ruim. Os discos produzidos nessa época de instabilidade foram bons (alguns nem tanto...), e os músicos que passaram pelo Sabbath se caracterizavam por serem ótimos instrumentistas/vocalistas. Dentre eles, posso afirmar com certeza que o mais injustamente criticado foi Tony Martin. Discorda? Vamos ao disco, então.
Alem de Martin e Iommi, a formação do Sabbath nessa época (1990) era composta por Geoff Nicholls (teclados), Cozy Powell (bateria) e Neil Murray (baixo). Depois de um álbum relativamente bem-sucedido (Headless Cross, de 1988), a banda grava TYR, que conta com a produção de Iommi e Powell, assim como o disco anterior. Ao contrário do que muitos pensam, TYR não é um disco conceitual que trate de mitologia nórdica. Esta, sem dúvida, se faz presente na bolacha, mas há também músicas que tratam de cristianismo e de czares (vai me dizer que czar é algo nórdico?).
Mas o disco é bom? Eu digo: É ÓTIMO! A banda foi bem em todas as músicas do álbum. TYR já começa com "Anno Mundi (The Vision)". Sua letra apocalíptica casa bem com seu arranjo, que se inicia com um dedilhado de guitarra e um "coro" (leia-se: o vocal duplicado de Tony Martin) cantando o verso "Spirictus Santus Anno Anno Mundi" repetidamente, enquanto entra Tony Martin cantando de mansinho. Do nada, Cozy entra com a bateria e o peso começa. Já nessa faixa, você vê que Martin canta muito.
Depois vem "The Law Maker", mais acelerada e se mantendo assim até ao final. Em seguinda, "Jerusalem" - pesada e cadenciada, lembrando o disco Headless Cross. A banda continua a mostrar que está bem coesa.
Aí chega "The Sabbath Stones" (minha preferida...). As palhetadas de Tony Iommi, embora sejam mais comedidas do que de costume, dão o clima perfeito para a música, assim como a bateria de Cozy Powell. Só escutando para saber a sensação...
Agora chegamos à mitologia nórdica propriamente dita do álbum! Trata-se da trinca formada pelas faixas "The Battle of Tyr", "Odin's Court" e "Valhalla". A primeira é uma vinheta instrumental, enquanto a segunda é, basicamente falando, um violão dedilhado acompanhado pelo vocal de Tony Martin apresentando a corte de Odin. Daí entra "Valhalla", que é mais ou menos no mesmo estilo de "The Sabbath Stones". Acho que foi melhor que a abordagem à mitologia nórdica se resumisse a apenas um trecho do álbum em vez de um disco inteiro, pois acredito que a banda não faria tão bem um álbum conceitual de temática viking.
A faixa seguinte é a balada "Feels Good to Me", que, segundo a banda, só entrou no disco para ser lançada como seu single. Musicalmente, não tem nada a ver com o resto do álbum, mas isso não desmerece a música. Ela é boa, sim, e deixa muita banda "baladeira" no chinelo.
Fechando TYR, Heaven in Black (a do czar... :P). Fecha o disco, além de contar com uma ótima introdução de bateria. Belo encerramento para o disco!
Resumindo: se você gosta de metal bom, mas diz que o Sabbath só presta com Ozzy, deixe de ser preconceituoso e ouça TYR! Apesar de estar musicalmente distante dos discos com a formação original, é um álbum extremamente competente na função de mostrar música boa.
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