É incrível como viagens no tempo dão margem pra histórias excelentes. E não falo apenas de livros, mas de histórias em geral. É muito interessante como em todas as histórias que envolvem viagens no tempo o elemento (ou objetivo) principal da história é corrigir algum evento que aconteceu no passado, ou ainda corrigir uma linha temporal que se "quebrou" por algum motivo. É assim com "De Volta para o Futuro", por exemplo. O protagonista tem que corrigir a linha temporal, quebrada quando ele voltando ao passado, faz com que sua mãe se apaixone por ele (!!) e não pelo seu pai.
Outras histórias querem apenas mudar (ou tentar mudar) a linha temporal para que o futuro seja alterado. É assim com "Máquina do Tempo", ou "Os 12 Macacos". O objetivo aqui é mostrar que o futuro não pode ser alterado, por mais que se mude a linha temporal. Nesta linha temos também a série "Heroes", com o famoso mote "Save the Cheerleader, save the World", onde uma personagem tem que ser salva para que o futuro seja menos tenebroso.
Todas estas histórias têm em comum o fato de que o motivo da viagem no tempo consiste única e exclusivamente para compor a história. Mas, pela primeira vez, alguém usou a viagem no tempo para além disso. Usou para corrigir uma franquia de filmes.
X-Men começou muito bem. O primeiro filme, de 2000, é muito bom. História fechada, sem furos, objetiva e pontual. Não é um senhor filme, mas não chega a ser uma tragédia. 3 anos depois, temos o segundo filme, mais focado nas origens do Carcaju. É legal, divertido, fechado. Mas aí vem o terceiro filme, que tenta acabar a franquia, mas deixa mais buracos que consegue tapar, e ainda impossibilita continuações pra tentar tapar os buracos que sobraram. Para piorar a situação, ainda fizeram aquela galhofa chamada "X-Men Origens: Wolverine". Eu sinceramente, tinha perdido as esperanças.
Mas aí resolveram contar a origem dos X-Men. Em 2011, a franquia voltou com um filme excelente ("X-Men: Primeira Classe"), superando as minhas expectativas. Colocando a franquia no passado, a franquia pôde ter terreno pra contar histórias sem se contaminar com os filmes antigos. Afinal, a maioria dos personagens dos filmes anteriores nem tinha nascido. Porém, a dúvida permanecia: como aproveitar (se é que isso era possível) os filmes anteriores e ainda fazer boas histórias?
Brian Singer conseguiu fazer isso de forma magistral com "X-Men: Dias de um Futuro Esquecido". Utilizando a viagem temporal como pretexto, ele contou uma boa história e mudou o futuro para "apagar" a realidade dos filmes anteriores. Assim, a linha temporal da franquia ficou livre para que a história seja recontada de uma forma melhor. Não entendeu? Calma que eu explico. :D
A PARTIR DE AGORA, POSSÍVEIS SPOILERS DO FILME!!
O filme começa em um futuro dominado pelos Nimrods, versões evoluídas das Sentinelas, que são robôs exterminadores de mutantes. Pelo fato dos mutantes principais do filme neste futuro serem do antigo elenco da franquia, podemos assumir que este futuro pertence a mesma linha temporal dos filmes antigos de X-Men. Então, Lince Negra envia a consciência de Logan de volta ao passado (em 1973, portanto alguns anos depois dos eventos de "X-Men: Primeira Classe") para que ele una Magneto e Professor X e impeçam a Mística de matar Bolívar Trask, criador do projeto Sentinela e criar o futuro sombrio. Como eles conseguem fazer isso, o projeto é cancelado e o futuro é alterado para um outro futuro onde todos do elenco antigo estão vivos. Se o futuro foi alterado, toda a história anterior foi mudada, incluindo todos os outros filmes da franquia X-Men!! Ao final do filme, Logan acorda no novo futuro na Mansão X, e Xavier começa a lhe contar o que aconteceu a partir de 1973, quando o futuro foi mudado e ele não se lembra de nada. Ou seja, a franquia agora, partirá de 1973, para chegar aos dias atuais, contando uma nova história.
Deste modo, Brian Singer apenas utilizou o elenco antigo para fazer a ponte para esta nova fase da franquia, e assim, poder deixá-la livre e sem a menor necessidade de corrigir os erros do passado, porque eles só existiam em um futuro que foi esquecido. Foi ou não foi uma tacada de mestre??
E uma dica: fiquem para a cena pós-créditos. Não acrescenta nada a este filme, mas é foda, se nós assistirmos pensando no próximo filme dos mutunas.
Inté.
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sábado, 24 de maio de 2014
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Team America: Detonando o Mundo ("Team America: World Police", 2004)
Em tempos de tensão mundial a respeito de mais uma possível intervenção militar dos EUA e da revelação dos atos de espionagem estadunidenses, não é difícil lembrar de um filme que satiriza justamente essa fama do país do Tio Sam querer ser a "polícia do mundo": estou falando, é claro, de Team America: Detonando o Mundo.
Criado por Trey Parker e Matt Stone, as mentes que deram origem à série South Park (desenho animado que, na minha humilde e honesta opinião, conseguiu superar Os Simpsons nas críticas ao American way of life), o filme mostra, como diz o título original (Team America: World Police), um grupo de americanos (chamado, lógico, de Team America) cuja função é policiar o mundo, combatendo aqueles que ameaçam a paz mundial - ou seja, terroristas. Precisando de um membro novo (o anterior havia morrido na primeira missão mostrada no filme), a equipe recruta Gary Johnston, um ator da Broadway, para participar de uma operação no Oriente Médio. E aí começam vários eventos, culminando no confronto com o vilão do filme, King Jong-il (!!!!), o então ditador da Coréia do Norte, que no filme é mostrado como o maior financiador dos grupos terroristas espalhados pelo mundo.
Ah! Ia me esquecendo de um detalhe: os personagens são MARIONETES que andam por cenários de miniatura, e o filme não se preocupa em esconder os fios que movimentam os bonecos.
(E se você pensou no seriado Thunderbirds, parabéns! Essa foi a maior inspiração para o visual do filme.)
Pelos parágrafos acima, já dá para imaginar que a obra é uma sátira aos filmes de guerra patrióticos produzidos em Hollywood - principalmente aos filmes dirigidos pelo Michael Bay. Aqueles diálogos piegas sobre o dever de amar o país, com música de fundo pomposa ilustrando que o discurso em questão é lindo e tal, entrecortados por aqueles planos em câmera lenta, ou aqueles momentos em que um personagem fala de um problema ou de uma lembrança, ao mesmo tempo em que começa a tocar uma música dedilhada no violão, as explosões costumeiras... tudo que você vê nos filmes do Michael Bay tentando te comover aparece aqui - claro que em Team America o objetivo é outro: sacanear e fazer o espectador rir.
Além disso, Team America satiriza o desconhecimento do estadunidense sobre os outros países no planeta. Um exemplo: quando outros países são mostrados, seus monumentos mais conhecidos são mostrados todos na mesma área! Isto pode ser visto no início do filme, quando a equipe "visita" Paris atrás de terroristas: o Arco do Triunfo, a Torre Eiffel e o Museu do Louvre ficam praticamente no mesmo quarteirão. Genial!
Outra coisa que merece ser notada é como o filme retrata os diálogos em língua estrangeira. Os diálogos em francês são um amontoado de "sacre bleu", "oh la la" e "mon dieu", entre outras expressões francesas; os personagens árabes disparam uma enorme quantidade de falso árabe entremeada com "Mohammed" e "jihad"; os coreanos falam em um idioma que poderia ser chamado de "você-fingindo-que-é-chinês"; e assim vai... E claro que os coreanos, quando falam inglês, trocam o R pelo L (e vice-versa)! Afinal, o filme também satiriza esteriótipos de estrangeiros na terra do McDonalds.
Quem já viu South Park já tem ideia do tipo de humor que vai encontrar em Team America: linguagem e cenas explícitas, piadas afiadas, cenas que não escondem a tosqueira da parte técnica, Trey Parker e Matt Stone fazendo as vozes de trocentos personagens... Se você é fã do seriado dos molequinhos desbocados, é quase certeza que você vai amar o filme dos bonecos.
Alguns atores conhecidos também "participam" do filme - ênfase nas aspas pelo fato de que nenhum dos atores representados no filme não ser dublado pelos seus respectivos seres de carne e osso. Aparecem no filme bonecos de George Clooney, Sean Penn, Alec Baldwin, Matt Damon, Susan Sarandon, entre outros - destaque para a aparição de Damon, cujas falas se resumem a repetir seu nome de maneira idiota. Estes atores aparecem como membros de um sindicato chamado Film Actors Guild (sigla "F.A.G." - sim, "fag" é "bicha" em inglês) que protesta contra as ações do Team America. Vale salientar a reação de alguns dos atores ao filme: George Clooney e Matt Damon não ligaram para a piada (Clooney inclusive disse que se sentiria ofendido se não fosse incluído no filme!); por outro lado, Sean Penn ficou puto, chegando ao ponto de mandar uma carta para Parker e Stone que se encerrava com um singelo "fuck you!".
Há vários momentos no filme dignos de menção. Um deles é o momento em que um bêbado explica para o protagonista que há 3 tipos de pessoas no mundo: dicks (que pode ser traduzido como "cacetes" ou "idiotas"), pussies ("xoxotas" ou "covardes") e assholes ("cus" ou "babacas"). Outro é quando Johnston precisa provar ao líder do Team America que é digno de confiança (não vou contar como, pois não quero estragar nenhuma surpresa...).
Também há a presença de momentos musicais no filme, com músicas com letras absolutamente hilárias - uma delas dizendo que os filmes do Michael Bay são um lixo, e outra que acompanha uma cena de sexo explícito entre dois personagens (Isso mesmo! Dois bonecos transando!) -, sendo o momento mais inesquecível a parte em que King Jong-il começa a se sentir solitário e a cantar (Parker sarcasticamente dizia que, se o verdadeiro King Jong-il visse o filme, ele iria se emocionar porque finalmente alguém o teria entendido). A cena se encontra abaixo:
É por essas e outras que o filme merece ser assistido, a não ser que você seja uma pessoa sensível (eufemismo para "fresca" e "chata"). Também devo dizer que o filme não é recomendável para menores de idade (se você tiver menos de 18 anos, não conte para seus pais!). Um filme extremamente inteligente, sarcástico e engraçado que passou despercebido por aqui graças ao medo da Paramount em promovê-lo nos cinemas do Brasil.
America - FUCK, YEAH!
Trailer de "Team America"
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
The Death and Return of Superman (2011)
Todos devem saber a maluquice que é acompanhar as sagas dos principais quadrinhos americanos, principalmente por conta do morre-ressuscita constante de vários personagens das HQs. Essa "Jesus-Cristização quadrínica" que vira e mexe acontece se deve principalmente a uma saga lançada nos EUA em 1992: "A Morte do Superman".
Como o nome já diz, a citada storyline mostra o Superman morrendo. Basicamente, foi uma maneira de a DC Comics fazer o "chato" personagem ficar mais interessante e aumentar as vendagens de seus gibis. Claro que isso foi anunciado como uma bomba - eu mesmo era bem pequeno (tinha uns 7 anos), mas me lembro de telejornais falando disso. Foi um marketing extremamente bem sucedido por parte da DC, pois, assim que saiu a história, ela vendeu como água no deserto - um sucesso estrondoso! O problema é que depois eles deram um jeito escroto de fazer o Superman voltar a viver, e aí já viu, né?! Tome reclamação das pessoas que compraram a HQ com a morte do Supinho.
Pois bem, em 2011, Max Landis, filho do lendário e fodão cineasta John Landis (Os Irmãos Cara-de-Pau, Um Lobisomem Americano em Londres, etc.), chamou um pessoal e fez um curta-metragem sobre a supracitada saga e as consequências geradas por ela, com o nome The Death and Return of Superman (queriam que se chamasse o quê? "Sorvete de Uva"?). Basicamente, o curta mostra um monólogo de Max Landis sobre a saga intercalando com imagens de atores encenando de maneira tosca os eventos narrados por ele. A maneira usada por Landis para contar a história é hilária, parecida com aquelas conversas em mesa de bar (já experimentou conversar sobre filmes, quadrinhos, música, enquanto toma umas cervas? É desse jeito) - não à toa, ele aparece bebendo uísque enquanto fala. As encenações das cenas descritas fazem jus ao modo como o "Júnior" as conta: atuações toscas e exageradas com figurinos ridículos. Muito bacana!
Algo bem legal em The Death... é notar algumas caras bem conhecidas, como Elijah Wood, Mandy Moore, Simon Pegg e Ron Howard, atuando da maneira mais anti-profissional possível. Fica impossível não imaginar algo como "Cacete! O Frodo tá participando DISSO?!"
Porém, o mais legal é a crítica inteligentíssima contida no curta. Além de criticar a qualidade da saga, Max Landis põe o dedo na ferida das editoras ao mostrar o quanto o fã pode ser desrespeitado na busca incessante por atenção e dinheiro. E tudo isso de maneira bem-humorada e criativa. Pelo visto, o talento do paizão foi herdado pelo jovem Landis.
Agora, a parte mais bacana: o curta está disponibilizado na íntegra (e legendado, pra quem não domina o idioma bretão) no Youtube. E eu sou tão legal que coloquei o vídeo aí embaixo para vocês se deleitarem. De nada!
PS: Alguém notou a propaganda do filme Chronicle (roteirizado pelo Max Landis) no vídeo? Esse filme foi lançado no Brasil como Poder sem Limites.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Jogo de Assassinos ("Mean Guns", 1997)
Quem foi criança ou adolescente durante os anos 80/90 já deve ter visto algum filme dirigido por Albert Pyun na Sessão da Tarde, Cinema em Casa, Sessão das Dez, e tantas outras sessões de filme que passavam na TV aberta da época - ou então pegando um VHS na locadora mais próxima. Pra quem não sabe, Pyun foi (e ainda é) o diretor de inúmeros filmes de baixo orçamento na época que tanto nos alegraram (ou não), como Cyborg - O Dragão do Futuro (com Van Damme), A Espada e os Bárbaros (em que havia um vilão melequento e um herói que usava uma espada de 3 lâminas), Capitão América (aquela versão anterior à da Marvel Studios que todo mundo odiava), Kickboxer 2 e 4, etc.
Pois bem, muitos criticam os filmes do cara por serem mal-dirigidos e mal-feitos. Claro que ele não é dos melhores e que a maior parte dos filmes dele são ruins, mas não dá pra negar que ele tem ideias bem interessantes aplicadas nos seus filmes - Cyborg, por exemplo, é um dos melhores filmes do Van Damme, e foi feito a partir de cenários e figurinos que iriam ser usados em dois filmes engavetados pela produtora Cannon: "Homem-Aranha" (!!!) e "Mestres do Universo 2" (Sim, isso mesmo! A continuação do filme do He-Man que tinha o Dolph Lundgren!!!); ou seja, o cara tirou leite de pedra e conseguiu fazer um filme dali.
Mas em 1997, contrariando (quase) todos os seus críticos, o diretor havaiano estava inspirado e fez um filmaço: JOGO DE ASSASSINOS. Na trama, membros de uma organização criminosa são convidados a participarem de uma reunião numa penitenciária que está prestes a ser inaugurada, sem saber qual o assunto dela. O mestre de cerimônias é Moon (o rapper Ice-T), que avisa: todos ali traíram a organização e, por isso, merecem morrer. Porém, Moon, procurando uma nova forma de diversão, resolve fazer com que todos eles se matem uns aos outros na prisão, até que só restem três sobreviventes, os quais dividirão uma bolada de 10 milhões de dólares. Detalhe: todos eles recebem as mais variadas armas (de tacos de beisebol a armas de grosso calibre) e munição, mas só tem 6 horas para acabarem a "competição", porque depois vai haver a inauguração do presídio - depois desse prazo, todos serão mortos. Aí já viu, né? Começa o inferno! Mortes, conluios, alianças forçadas, traições - e o sacana do Moon assistindo a tudo de camarote.
O filme é bem legal por trazer uma história bem surreal bem conduzida, com personagens bem legais, como o "protagonista" Lou, um assassino meio doido interpretado de maneira adoravelmente canastrona por Christopher Lambert (que chega ao presídio acompanhado de uma garotinha de óculos escuros, a qual fica no carro esperando o cara voltar!). A trilha sonora também chama atenção, principalmente por ser composta em sua maior parte por MAMBOS! Cara, é impressionantemente bizarro ver um monte de gente se matando ao som de um mambo dançante! Só vendo pra crer!
Claro que JOGO DE ASSASSINOS tem algumas falhas, como o fato de Moon assistir da cabine a matança e seu monitor mostrar a mesma imagem de câmera que o telespectador vê quando acompanha os personagens (Não deveriam ser umas câmeras posicionadas no teto? Ficou parecendo que havia um cameraman junto com cada grupo...), mas nada que atrapalhe a desenvoltura do filme. Não é algo que vá mudar a sua vida, mas pelo menos vai te divertir pra burro!
P.S.: Antes que me perguntem se existe o DVD do filme no Brasil, digo logo que NÃO - ele só foi lançado em VHS pela Playarte. Uma pena... Quem quiser ver esse filme, vai ter que
Trailer do filme:
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